domingo, 1 de novembro de 2009

TEOLOGIA

Deus em três pessoas - A Trindade


Deus sempre existiu como mais de uma pessoa. Ele existe como três pessoas, porém é um só Deus. Todos os atributos de Deus valem para as três pessoas, pois cada uma delas é plenamente Deus. Em si mesmo, no seu próprio ser, Deus existe nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sendo porém um só Deus. Portanto, podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: “Deus existe eternamente como três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – e cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus.

A. A TRINDADE REVELA-SE PROGRESSIVAMENTE NAS ESCRITURAS

1. A revelação parcial no Antigo Testamento. A palavra Trindade não se encontra na Bíblia, mas a doutrina é bíblica. Trindade significa “tri-unidade” ou “três-em-unidade”. Deus é três pessoas, porém um só Deus.

Embora a doutrina da trindade não se ache explicitamente no Antigo Testamento, várias passagens implicam que Deus existe como mais de uma pessoa. Considere os seguintes textos e veja claramente a pluralidade de pessoas atribuída a Deus (Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.8).

2. A revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento. O Novo testamento começa falando da Trindade. Veja o batismo de Jesus (Mt 3.16-17). No final de seu ministério terreno, Jesus manda seus seguidores fazerem discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19).

Os autores do Novo Testamento geralmente usam o nome “Deus” (gr. theos) para se referir a Deus Pai e o nome “Senhor” (gr. kyrios) para se referir a Deus Filho. Fica claro que há outro termo trinitário em 1 Coríntios 12.4-6.

A conhecida bênção apostólica também é trinitária na sua expressão (2 Co 13.14). As três pessoas são também mencionadas separadamente em Efésios 4.4-6. Também em 1 Pedro 1.2 e Judas 20-21.

B. TRÊS DECLARAÇÕES QUE RESUMEM O ENSINO BÍBLICO

Jamais seremos capazes de entender plenamente a doutrina da Trindade. Mas podemos conhecer parte da sua verdade resumindo o que a Bíblia ensina: 1) Deus é três pessoas; 2) cada pessoa é plenamente Deus; 3) Há um só Deus.

1. Deus é três pessoas. Sendo Deus três pessoas, o Pai não é o Filho; são pessoas distintas. O Pai também não é o Espírito Santo. São pessoas distintas. O Filho também não é o Espírito Santo. Essas distinções estão na Bíblia.

Aquele que é a Palavra é Jesus. Se ele estava no princípio com Deus, mostra que ele é distinto do Pai (Jo 1.1-2). Em João 17.24 Jesus fala de sua relação de amor com o Pai antes de o mundo ser criado. Jesus é nosso intercessor junto ao Pai (Hb 7.25; 1 Jo 2.1). Para interceder por nós junto ao Pai, é necessário que Jesus seja distinto do Pai.

Além disso, fica claro que o Pai não é o Espírito Santo, nem o Filho é o Espírito Santo (Jo 14.26; 16.7; Rm 8.27). O Espírito Santo não é simplesmente o “poder” ou a “força” de Deus em ação no mundo. Os textos mencionados acima mostram que ele é uma pessoa distinta. O pronome pessoal ele (gr. ekeinos) se refere ao Espírito Santo (Jo 14.26; 15.26; 16.13-14). Isso não aconteceria se o Espírito Santo não fosse uma pessoa, pois a palavra “espírito” (gr. pneuma) é neutra, não masculina. Além do mais, somente uma pessoa pode ser conselheira e consolar.

O Espírito Santo ensina (Jo 14.26), dar testemunho (Jo 15.26; Rm 8.16), conhece os pensamentos de Deus (1 Co 2.11), concede dons (1 Co 12.11), toma decisões (At 16.6-7), fala (At 8.28; 13.2), aprova sábias decisões (At 15.28), e se entristece com o pecado (Ef 4.30).

2. Cada pessoa é plenamente Deus. Além de serem três pessoas distintas, a Bíblia diz que cada pessoa é plenamente Deus. Deus Pai é claramente Deus (Gn 1.1); o Filho também é plenamente Deus (Jo 1.1-4, 18). Tomé confessou Jesus como Deus, e todos devemos crer assim também (Jo 20.27-31).

Em Hebreus 1.3 Jesus é a expressão exata de Deus; no verso 8 ele é eterno, e no verso 10 é criador, citando Salmo 102.25. Veja ainda Tito 2.13; 2 Pedro 1.1; Romanos 9.5 e Isaías 9.6. Fica claro que Jesus é plenamente Deus (Cl 2.9).

O Espírito Santo é também plenamente Deus. Mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus (At 5.3-4). Deus habita em seu santuário. E o Espírito de Deus habita em nós (1 Co 3.16). O Espírito Santo é onipresente (Sl 139.7-8), onisciente (1 Co 2.10-11), e como Deus, somente ele pode dar vida espiritual a alguém (Jo 3.5-7; 1 Jo 3.9).3. Só há um Deus. A Bíblia diz que existe um único Deus. As três pessoas da Trindade são um não apenas em propósito e em concordância no que pensam, mas um na sua natureza essencial. Deus é um só ser. Não existem três Deuses.

O Antigo Testamento deixa claro que só existe um Deus (Dt 6.4-5; Êx 15.11; 1 Rs 8.60; Is 44.6-8; 45.5-6, 21-22).

O Novo Testamento também afirma que há um só Deus (1 Tm 2.5). Deus é um só (Rm 3.30; 1 Co 8.6). Até os demônios crêem que existe um só Deus (Tg 2.19).

C. A NEGAÇÃO DESSAS TRÊS PROPOSIÇÕES SEMPRE GEROU ERROS

Já vimos que a Bíblia nos ensina a fazer as seguintes afirmações: 1) Deus é três pessoas; 2) Cada pessoa é plenamente Deus; 3) Há um só Deus.Ao longo da história da igreja foram cometidos erros doutrinários sobre a Trindade que podemos aqui relembrar, e que nós mesmos devemos evitar numa reflexão mais aprofundada sobre essa doutrina. Os principais erros nasceram da negação de uma ou outra dessas três proposições básicas.

1. O modalismo afirma que existe só uma única pessoa, que se revela a nós de três diferentes formas (ou “modos”).

Esse ensino diz, por exemplo, que o Deus do Antigo Testamento se revelou como “Pai”. Nos evangelhos essa mesma pessoa se revelou como “Filho” em Jesus. Depois do Pentecostes, essa pessoa se revelou como o “Espírito Santo” ativo na vida da igreja.

A intenção do modalismo é enfatizar que só existe um único Deus. O erro fatal do modalismo é negar necessariamente as relações pessoais entre os membros da Trindade, claramente mostradas na Bíblia.Além disso, o modalismo nega a independência de Deus, pois sendo apenas uma pessoa, não tem capacidade de amar e de se comunicar sem outras pessoas da sua criação. Ele precisou criar o homem para com ele se relacionar.

2. O arianismo nega a plena divindade do Filho e do Espírito Santo.

a) A controvérsia ariana. O termo arianismo vem de Ário, bispo de Alexandria, que morreu em 336 d.C. Ele ensinava que o Deus Filho foi criado e que em dado momento nem ele nem o Espírito Santo existiam, mas somente o Pai. Para Ário Jesus não é da mesma essência de Deus Pai. As testemunhas-de-jeová são os arianos de hoje.

b) Subordinacionismo. Enquanto o arianismo sustentava que o Filho era criado e não divino, o subordinacionismo defendia que o Filho era eterno (não criado) e divino, mas ainda assim não igual ao Pai no seu ser e nos seus atributos – o Filho era “subordinado” no seu ser a Deus Pai.

c) Adocianismo. Além do arianismo, havia uma outra doutrina falsa correlata. O “adocianismo” ensinava que Jesus viveu como homem comum até seu batismo, quando Deus o “adotou” como “Filho”, conferindo-lhe poderes sobrenaturais. Mesmo depois da “adoção” eles não consideravam Jesus como Deus, mas apenas um homem sublime dotado de poderes que Deus chamava de “Filho” num sentido único.

d) A importância da doutrina da Trindade. Por que se ocupar tanto com a doutrina da Trindade? Será realmente essencial apegar-se à plena divindade do Filho e do Espírito Santo? Certamente que sim, pois essa doutrina traz implicações para o cerne da fé cristã. 1) Se Jesus fosse apenas uma criatura, como poderia suportar toda a ira de Deus contra todos os nossos pecados? 2) Se Jesus não fosse totalmente Deus, poderíamos duvidar que ele pudesse nos salvar plenamente. 3) Se Jesus não fosse Deus, não poderíamos orar a ele nem adorá-lo. Fazer isso seria idolatria, mas a Bíblia diz que podemos e devemos adorá-lo (Fp 2.9-11; Ap 5.12-14). 4) Se Jesus foi criado e nos salvou, então devemos nossa salvação a uma criatura, e não ao próprio Deus. 5) Se a Trindade não existisse, a independência e a natureza de Deus estariam em jogo, pois ele não seria um Deus pessoal e independente, tendo assim necessidade de criar o mundo para com ele se relacionar. 6) Se não há pluralidade perfeita e unidade perfeita no próprio Deus, então também não podemos acreditar na unidade da diversidade do universo. Na confissão da Trindade pulsa o coração da fé cristã.

3. O perigo do triteísmo disfarçado. Negar que só existe um Deus acabaria com qualquer polêmica sobre a doutrina da Trindade. O resultado seria dizer que Deus são três pessoas, e cada pessoa, plenamente Deus. Portanto existem três Deuses.

Isso pareceria uma antiga religião pagã com multiplicidade de deuses. Como adorar um Deus único e verdadeiro dessa forma? A que Deus devemos maior obediência? Seria uma confusão.

Mesmo que não se defenda hoje o triteísmo, talvez muitos evangélicos, impensadamente, se inclinem ao triteísmo da Trindade, reconhecendo as pessoas distintas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas raramente com consciência da unidade de Deus como um ser indiviso.

D. QUAIS AS DISTINÇÕES ENTRE O PAI, O FILHO, E O ESPÍRITO SANTO?

Ao dizermos que cada membro da Trindade é plenamente Deus, e que cada pessoa participa plenamente de todos os atributos divinos, então será que há alguma diferença entre as pessoas

1. As pessoas da Trindade têm funções primordiais diferentes em relação ao mundo.

Na criação, Deus Pai proferiu as palavras criadoras para gerar o universo. Mas foi o Deus Filho quem executou os decretos da criação (Jo 1.3; Cl 1.16; Sl 33.6, 9; 1 Co 8.6; Hb 1.2). O Espírito Santo também estava ativo na criação (Gn 1.2).

Deus Pai planejou a redenção e enviou seu Filho ao mundo (Jo 3.16; Gl 4.4; Ef 1.9-10). O Filho realizou a obra da redenção (Jo 6.38; Hb 10.5-7). Ao voltar para o céu, Jesus enviou o Espírito Santo (Jo 14.26; 15.26; 16.7). O Espírito Santo nos regenera dando nova vida (Jo 3.5-8), santificando-nos (Rm 8.13; 15.16; 1 Pe 1.2) e capacitando-nos para o serviço cristão (At 1.8; 1 Co 12.7-11).

Embora as pessoas da Trindade sejam iguais em todos os seus atributos, diferem nas suas relações com a criação. O Filho e o Espírito Santo são iguais em divindade a Deus Pai, mas são a ele subordinados nos seus papéis. Essa diferença de papéis durará para sempre (1 Co 15.28).

2. As pessoas da Trindade existem eternamente como o Pai, o Filho e o Espírito Santo.Por que essas diferenças de papéis entre as pessoas da Trindade? Elas poderiam ser invertidas? Não. Os papéis são bem distintos (Ef 3.14-15; Jo 1.1-5, 14, 18; 17.4; Fp 2.5-11). Essas relações são eternas, e não algo que ocorreu somente no tempo (Ef 1.3-4; Gl 4.4).3. Qual a relação entre as três pessoas e o ser de Deus?

Qual a diferença entre “pessoa” e “ser”? Como podemos dizer que Deus é um ser indiviso, mas que nesse ser coexistem três pessoas?
Cada pessoa é completa e plenamente Deus; cada pessoa tem em si a absoluta plenitude do ser divino. O Pai é todo o ser divino. O Filho é também todo o ser divino. E o Espírito Santo é todo o ser divino.Por outro lado precisamos sempre conceber a Trindade como três pessoas distintas. A diferença entre as pessoas da Trindade não está no “ser”, mas sim nas “relações”.

E. APLICAÇÃO.
A unidade e a diversidade no casamento ilustram a unidade e a diversidade na Trindade (Gn 1.27; 2.24; 1 Co 6.16-20; 11.3; Ef 5.31).

Também aprendemos da unidade e diversidade com a igreja como Corpo de Cristo (1 Co 12. 12-26); e da unidade de judeus e gentios (Ef 2.16; 3.8-10; Ap 7.9).




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