domingo, 9 de maio de 2010

Angelologia III

Anjos, Querubins & Serafins

1- ANJOS
Seres celestiais mais elevados do que o homem em dignidade, Sl 8.6; Hb 2.7, que não se casam nem se dão em casamento, Mt 22.30. Pela sua natureza, são chamados filhos de Deus, pelo menos em poesia, Jó 1.6; 37.7, e pelo seu caráter, são chamados santos, Jó 5.1; Si 89.5,7. O seu oficio é determinado pela palavra anjo. Em outros livros da Bíblia, há indícios de duas categorias de anjos em oficio e dignidade, como sejam os arcanjos (chefes) e outros de inferior posição, 1Ts 4.16; Jd 9. Estas duas classes não são as únicas. Há os anjos caídos e os que não caíram; há tronos e domínios, principados e potestades, Rm 8.38; Ef 1.21; 3.10; Cl 1.16; 2.15. Querubins e Serafins, todos os quais parecem pertencer à classe angélica.

As forças inanimadas da natureza pelas quais se opera todo o movimento econômico do universo são mensageiros de Deus, Sl 104.4. A pestilência e a morte, quando obedecem a atos especiais do governo divino, são representadas como operando sob a direção dos anjos, 2Rs 24.16; 19.25; Zc 1.7-17. Escapando à vista humana, acampam-se a roda dos que temem a Deus, Sl 34.7; Gn 28.12; 48.16; 2Rs 6.17; Is 43.9.

O Anjo do Senhor apareceu em forma humana a Abraão, a Agar, a Ló, a Moisés e a Josué; aos israelitas em Boquim, a Gideão e a Manoé. Um anjo do Senhor apareceu a Elias e a Daniel. Os anjos ocupam lugar saliente na história de Jesus, anunciando o seu nascimento e o de seu precursor, proclamando o seu advento aos pastores, servindo-o depois de sua vitória no deserto e de sua angústia no jardim, Lc 22.43, Foram ainda os anjos que deram as boas novas aos discípulos na ressurreição e ascensão. Um anjo assistiu a Pedro, outro a Paulo.

Alguns destes mensageiros de Deus são conhecidos pelos seus nomes, como Gabriel, Dn 8.16; 9.21; Lc 1.19,20: e Miguel, Dn 10.13,21; Jd 9; Ap 12.7. Há alguns anjos, enviados a executar ordens divinas, que são chamados Anjo do Senhor, 2Sm 24.16: 1Rs 19.5-7. Também se menciona um anjo, que em certas circunstâncias parece ser distinto de Jeová e que, no entanto se identifica com ele, Gn 16.10,13,14,33; 22.11,12,15,16; 31.11,13; Ex 3.2,4; Js 5.13-15; 6.2; Zc 1.10-13: 3.1,2. Assim, em Gn 32.30, se menciona um anjo em que se revelava a face de Jeová que tinha o nome de Jeová, e cuja presença equivalia a presença de Jeová, Gn 22.11; Ex 32:14: 33.14; Is 63.9. O anjo do Senhor aparece como uma manifestação de Jeová, um com ele e, todavia diferente dele.

2- QUERUBINS
Nome do guardião que o Senhor pôs à entrada do Éden para impedir que nossos primeiros pais se aproximassem da árvore da Vida, depois de serem expulsos do Paraíso, Gn 3.24. Quando se construiu a Arca para o Tabernáculo, foram trabalhados dois querubins, feitos de puro ouro, e colocados sobre a arca com as faces voltadas um para o outro, e cobrindo-a com as asas estendidas, Ex 25.18-20; 37.7-9.

Simbolizavam a presença de Jeová, cuja glória se manifestava entre eles, Lv 16.2, e que habitava no meio de seu povo, estando presente no tabernáculo para receber a sua adoração, Ex 25.22; Lv 1.1. Há freqüentes referências à habitação de Jeová entre querubins, Nm 7.89; 1Sm 4.4; 2Sm 6.2; 2Rs 19.15; Sl 80.1; 99.1; Is 37.16. As cortinas do Tabernáculo eram bordadas com as figuras de querubins, Ex 26.1.

No oráculo do Templo foram postos dois gigantescos querubins de quase seis metros de altura, cujas asas estendidas tinham igual comprimento à altura. Eram feitos de pau de oliveira e cobertos de ouro, 1Rs 6.23-28; 8.7; 2Cr 3.10-13; 5.7,8; Hb 9.5.

As paredes do Templo eram esculpidas em roda de entalhes e molduras, com querubins e palmas, 2Rs 6.29, Em um poema, Davi representa Jeová montado sobre querubins e voando sobre as asas dos ventos, 2Sm 22.11; Sl 18.10. Ezequiel teve uma visão de querubins perto do rio Cobar, cada um deles tinha quatro faces e quatro asas, Ez 10.1-22; comp. 9. 3. Os quatro querubins parecem ser idênticos às criaturas que ele viu, cada uma com quatro faces com rosto de homem, rosto de leão, rosto de boi e rosto de águia, cp. 1.5-12; com 10.20,21.

Estes querubins sustentavam o trono de Jeová, 1.26-28; 9.3. Finalmente, o apóstolo João descreve no Apocalipse quatro animais com rostos semelhantes aos já descritos, Ap 4.6-9. Em toda a Bíblia os querubins são apresentados como seres, entes animados, com a inteligência de homem, com a força do boi, com a coragem do leão e com movimentos livres como a águia para dominar o espaço. Eles representam uma ordem de anjos.

3- SERAFINS
Nome de entes celestiais que estavam à roda do trono de Deus, na visão de Isaías. Cada um deles tinha seis asas: com duas cobria a face, e com outras duas cobriam os pés e com duas voavam. E clamavam um para o outro, e diziam: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos cheia está toda a terra da sua glória”, Is 6. 2,3.

Tendo o profeta confessado ser homem de lábios impuros, um dos serafins voou para ele levando na mão uma brasa viva, que havia tomado do altar com uma tenaz, e tocou com ela a boca do profeta dizendo: “Eis aqui tocou esta brasa os teus lábios, e será tirada a tua iniqüidade, e lavado será o seu pecado”.A Escritura nada mais diz a respeito de serafins, senão o que se contém nesta passagem. Quem eram eles? Os serafins eram uma ordem superior de anjos, segundo o entendimento dos judeus.

Angelologia II

ANJOS

- O mundo invisível é constantemente descrito na bíblia como algo constantemente presente em nosso meio, não como uma realidade distante, mas como algo presente entre nós.
- Os anjos não estão apenas ocasionalmente presentes na Bíblia; eles estão constantemente presentes!
- O termo “anjo” ocorre mais de 250 vezes nas páginas da revelação eterna de Deus das Escrituras, não apenas descrevendo o que ele têm feito mas também mostrando as coisas que eles fazem em nosso dia-a-dia, além do que têm feito no passado.

- “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviado para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” Hb 1.14

- A resposta da Bíblia é “Sim”, isto significa que o seu ministério aplica-se a nós – Hoje!

1. Cinco aspecto do ministério dos anjos
"Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhe obedeceis à palavra. Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade." Sl 103.20,21

- Os anjos existem para servir a Deus de cinco maneiras, pelo menos.

2. Variedade na aparência dos Anjos.
"Então, a mulher foi a seu marido e lhe disse: Um homem de Deus veio a mim; sua aparência era semelhante à de um anjo de Deus, tremenda; não lhe perguntei donde era, nem ele me disse o seu nome." Jz 13.6

- Dependendo da sua ordem da criação, os anjos aparecem em diferentes formas.


3. Estrutura organizada no mundo dos anjos.
"pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele." Cl 1.16

- Os anjos constituem uma sociedade estruturada.


4. A influência dos anjos sobre as nações.
"Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia." Dn 10.13

- Alguns anjos tem influências sobre as nações.


5. Anjos como mensageiros.
"Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi." At 8.26

- Os anjos continuam ativos na edificação do reino de Deus, na qualidade de mensageiros.


6. Anjos da guarda – Cuidando de nós.
"Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra." Sl 91.11,12

- Cada fiel tem seu anjo que o guarda.


7. Jesus e os anjos.
"Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu." Ap 1.1,2

- Jesus está diretamente associado com os anjos por ocasião do seu nascimento, nos quarenta dias de jejum, em sua agonia na noite em que foi traído, na Ressurreição, na Ascensão e na sua segunda vinda.


8. Anjos caídos.
"Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos." Ap 12.7-9

- A mente e a compreensão dos anjos caídos foram tomadas por grande engano, tornando-os instrumentos da rebelião de satanás.


9. Espíritos Ministradores.
"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?" Hb 1.14
-  Os anjos são espíritos ministradores.


10. Os serafins.
"Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava." Is 6.2
- Os serafins estão constantemente glorificando a Deus, supervisionando a adoração celestial.


11. Os querubins.
"E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida." Gn 3.24

- Os querubins guardam o trono de Deus e estão diretamente relacionados com a presença e retirada da glória de Deus.


12. Os arcanjos.
"Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!" Jd 9

- Arcanjo significa: Ser o primeiro. Representa o mais alto grau na hierarquia das hostes celestiais.


13. Lúcifer.
"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo." Is 14.12-14

- Satanás era um anjo, que sucumbiu ao orgulho.


14. Crentes acompanhados por anjos.
"Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado." Lc 6.22

- Os anjos acompanham os fiéis na presença de Deus, por ocasião da sua morte e os congregam diante de Cristo por ocasião do seu retorno.

Angelologia I

A doutrina dos Anjos

A palavra "anjo" significa mensageiro. Normalmente ela se refere a uma ordem de seres espirituais; em raras ocasiões, a seres humanos (como em Lc 7.24; Tg 2.25).

Todos os anjos foram originalmente criados num estado de santidade, mas alguns seguiram a satanás em sua rebelião contra Deus, tornando-se assim demônios. Alguns demônios vivem à solta, e outros estão confinados (2Pe 2.4).

Anjos são seres criados, subordinados somente a Deus (Cl 1.16). Sendo seres espirituais, não sofrem algumas das limitações comuns aos seres humanos. Têm organização e são divididos em ordens (Is 6.1-3; Dn 10.13; Ef 3.10; Jd 9). Anjos ministraram a Cristo várias vezes durante Seu primeiro advento e virão com Ele em Seu retorno (Mt 2.13; 4.11; 26.53; 28.2,5; Lc 22.43; 2Ts 1.7,8). Eles servem aos crentes (Hb 1.14) e os observam (1Co 4.9; 11.10). Miguel é o único designado "arcanjo" (Dn 10.12,21; Jd 9), embora Gabriel também tenha posição importante (Lc 1.19-26). Deus jamais disse a qualquer anjo que ele era filho, somente a Cristo e a respeito de Cristo.

1- A Existência de Anjos:

a) O ensino das Escrituras.

A existência de anjos é ensinada em, pelo menos, 34 livros da Bíblia. A palavra "anjo" ocorre mais de 250 vezes.

b) O ensino de Cristo.

Cristo sabia da existência de anjos e a ensinava claramente (Mt 18.10; 26.53).

2- A Criação dos Anjos:

a) O fato.

O fato de sua criação é demonstrado em Colossenses (1.16).

b) O tempo.

Antes da criação do mundo (Jó 38.6,7).

c) O Estado.

Foram criados em santidade (Jd 6).


3- A Personalidade dos Anjos:

a) Intelecto (1Pe 1.12).

b) Emoções (Lc 2.13).

c) Vontade (Jd 6)


4- A Natureza dos anjos:

a) São seres espirituais ( Hb 1.14).

b) Não se reproduzem segundo a sua espécie (Mc 12.25).

Os anjos são mencionados nas Escrituras são designados pelo sexo masculino (Gn 18.1,2).

c) Não morrem (Lc 20.36).

d) São distintos dos seres humanos ( Sl 8.4,5).

e) Têm grande poder (2Pe 2.11).


5- O Número dos Anjos:

São inumeráveis (Hb 12.22).


6- Organização dos Anjos:

a) Um Arcanjo é mencionado.

Miguel (Jd 9)

b) Primeiros Príncipes (Dn 10.13).

c) Principados e Potestades (Ef 3.10).

d) Anjos da Guarda.

Para todos (Hb 1.14).

Para crianças ( Mt 18.10).

e) Serafins (Is 6.1-3).

Ligados à adoração a Deus.

f) Querubins (Gn 3.22-24).

Ligados à santidade de Deus.

g) Anjos Eleitos (1Tm 5.21).


7- Os Ministérios dos Anjos:

a) A Cristo.

1- Predisseram o Seu nascimento (Lc 1.26-33).

2- Anunciaram o Seu nascimento (Lc 2.13).

3- Protegeram a criança (Mt 2.13).

4- Fortaleceram a Cristo depois da tentação ( Mt 4.11).

5- Estavam preparados para defendê-lO (Mt 26.53).

6- Confortaram-nO no Getsêmani (Lc 22.43).

7- Rolaram a pedra que fechava a entrada ao sepulcro (Mt 28.2).

8- Anunciaram a ressurreição (Mt 28.6).


b) Aos Crentes.

1- Seu ministério geral é de ajuda (Hb 1.14).

2- Estão envolvidos com as repostas às orações (At 12.7).

3- Observam a experiência dos crentes (1Co 4.9; 1Tm 5.21).

4- Encorajam nas horas de perigo (At 27.23-24).

5- Estão interessados nos esforços evangelísticos (Lc 15.10; At 8.26).

6- Ministram aos justos na hora de sua morte (Lc 16.22; Jd 9).


c) Às Nações.

1- Miguel parece ter um relacionamento estreito com Israel (Dn 12.1).

2- Os anjos parecem ser agentes de Deus na execução de Sua providência (Dn 10.21).

3- Os anjos estarão envolvidos nos juízos da tribulação ( Ap 8, 9 e 16).


d) Aos Descrentes.

1- Anunciam juízos eminentes (Gn 19.13; Ap 14.6,7).

2- Infligem o juízo divino ( At 12.23).

3- Agem como ceifeiros na separação definitiva no fim dos tempos (Mt 13.39).

sábado, 8 de maio de 2010

O Tabernáculo

O Tabernáculo
Grande barraca na qual eram realizados os atos de adoração durante o tempo em que os israelitas andaram pelo deserto, depois da sua saída do Egito (Êx 25—27).
O tabernáculo continuou a ser usado até que o TEMPLO foi construído, no tempo do rei Salomão.
Um tabernáculo é como uma igreja, um lugar para encontrar Deus. O tabernáculo era a estrutura que os israelitas construíam para a adoração. Depois do Êxodo, o povo israelita acabou vagando pelo deserto por quarenta anos. Juntamente com os Dez Mandamentos, Deus deu a Moisés instruções bem detalhadas em Êxodo (capítulos 25-40) de como o povo tinha que construir o tabernáculo e adorar a Deus. Apesar de ser muito luxuosa, essa estrutura era completamente portátil.


Toda vez que os israelitas mudavam o seu acampamento de lugar, o tabernáculo mudava com eles. Por ser portátil, o tabernáculo também servia como um símbolo de que Deus andava com o povo de Israel.

Moisés ia ao tabernáculo para determinar a vontade de Deus para o povo. Mais tarde, um templo (que não era portátil) foi construído pelo rei Salomão com o mesmo layout do tabernáculo.

O tabernáculo era diariamente usado como o meio em que o povo se relacionava com Deus. Incenso e outras coisas eram oferecidas a Deus juntamente com orações e louvores. Deus também estabeleceu dias específicos como o dia da expiação quando o povo e os sacerdotes fariam tarefas especiais ou sacrifícios especiais para Deus.

O tabernáculo se tornou o centro da comunidade israelita enquanto eles estavam no deserto. Quando eles acampavam, o lugar do acampamento de cada tribo era determinado pela localização do tabernáculo.

Os levitas ficavam em volta do tabernáculo e as famílias de Moisés e de Arão sempre acampavam ao leste, na frente da entrada. Mesmo na mudança, o tabernáculo permanecia central, com seis tribos na frente e seis tribos seguindo a trás.

O ÁTRIO
A descrição do tabernáculo na bíblia começa com o quarto de dentro - o Santo dos Santos também traduzido como Santíssimo Lugar.
No entanto quando começou a construção do tabernáculo, as partes de fora foram feitas primeiro. Dessa maneira é que vamos descrever o tabernáculo - de fora para dentro. A bíblia deixa muito claro que a intenção é que esse fosse um lugar santo para se reunir. Todos os materiais usados eram raros e valiosos, indicando que qualquer coisa associada a Deus era para ser da melhor qualidade. As paredes da tenda eram feitas de madeira de acácia que cresce naturalmente no Oriente Médio.

Quando o tabernáculo era desmontado para ser movido, muitas famílias tinham trabalhos específicos.

O tabernáculo era cercado por um átrio cercado (Êxodo 27:9-21). A moldura da cerca era feita de acácia coberta por prata e descansava numa base de bronze. Cortinas de linho cobriam essa moldura de fora. Elas eram penduradas em ganchos de prata de uma vara de prata. A entrada, na face leste do átrio, era coberta por cortinas bordadas com cores as cores azul, roxa e escarlate.

O ALTAR DE SACRIFíCIO
Mesa feita de madeira, terra ou pedras, sobre a qual se ofereciam os SACRIFÍCIOS (Êx 27.1; 20.24; Dt 27.5). Os altares de madeira eram revestidos de algum metal e tinham pontas (chifres) nos quatro cantos (Lv 4.25). Fugitivos ficavam em segurança quando corriam e se agarravam a essas pontas (1Rs 2.28).  veja foto abaixo :
Nesse átrio estavam o lavatório e o altar. O altar se era o primeiro objeto localizado na entrada do átrio. Os pecadores não podiam entrar diante da presença de Deus, eles tinham que oferecer um sacrifício por seus pecados.

É claro que os cristãos acreditam que Jesus Cristo foi o sacrifício pelos pecados de todo o mundo, então podemos entrar na presença de Deus sendo humildes e pedindo perdão. Mas nos tempos do Velho Testamento, coisas - geralmente animais e grãos - eram oferecidos a Deus como parte da redenção dos pecados.

Esse altar foi desenhado para queimar sacrifícios. O altar foi construído de madeira oca e coberto por bronze. Isso o tornava leve o suficiente, apesar de seu tamanho, para ser carregado em varas cobertas de bronze que passavam por argolas em bronze nas suas beiradas (Êxodo 27:1-8). Uma grelha de bronze ficava no meio do altar para permitir que o ar fluísse para dentro do fogo. Baldes para as cinzas, ganchos para a carne, as bacias para recolher o sangue e as panelas também eram feitas de bronze. Nos cantos do altar havia dois chifres também cobertos por bronze. Esses chifres podem ter sido úteis para amarrar os animais que seriam sacrificados, e eles também eram simbólicos. Como sinal de proteção uma pessoa em Israel podia ir ao altar e bater nos chifres.

Em tempos modernos, pessoas que se sentem ameaçadas ainda procuram um santuário numa igreja quando elas sentem que não há proteção ou justiça em qualquer outro lugar.

O LAVATÓRIO

BACIA (PIA) DE BRONZE

A Bacia de Bronze (bacia de rosto), ficava no pátio do Tabernáculo entre o Altar e o Santo Lugar, permitia o ritual da lavagem das mãos e dos pés. Ex 30.18
Entre o altar e a tenda da congregação do tabernáculo havia um lavatório ou pia de bronze (Êxodo 30:17-21). A sua localização - na entrada da tenda da congregação - evitava que as partes interiores do tabernáculo se contaminassem com poeira. Deus é santo, e ele exigia que os sacerdotes se limpassem antes de começarem a ministrar na tenda do tabernáculo.

O lavatório era feito de bronze e espelhos. As mulheres que serviam na entrada do átrio do tabernáculo doaram os espelhos.

O LUGAR SANTO
O Lugar Santo era a primeira parte da tenda de dentro do tabernáculo. Os sacerdotes podiam entrar ali para fazer as suas rotinas diárias no lugar do povo de Deus. Dentro do Santíssimo Lugar havia três peças importantes de mobília.
No lugar Santo estava a Mesa, o Candelabro de Ouro e o Altar do Incenso, espalhando no ar o aroma doce da adoração através da tenda sagrada.

A MESA DO PÃO DA PRESENÇA

PÃES DA PROPOSIÇÃO

Os 12 pães, cada um pesando dois quilos, que eram arrumados em duas pilhas sobre uma mesa que ficava no SANTO LUGAR. Eles representavam a ALIANÇA das 12 tribos com Javé. Eram trocados no sábado, sendo os pães velhos comidos pelos sacerdotes (Lv 24.5-9; Êx 25.30).
Essa mesa era feita de madeira de acácia coberta de ouro (Êxodo 25:23-30). Quando o tabernáculo era transportado, a mesa podia ser levada em varas que passavam dentro de argolas de ouro nas pontas da mesa. Pratos,louças, jarras e tigelas de ouro eram colocadas em cima da mesa. Provavelmente isso era relacionado com ofertas de bebida.

Cada sábado, doze bisnagas de pão eram colocadas nessa mesa, simbolizando a provisão de Deus para as doze tribos de Israel.

O CANDELABRO DE OURO

CANDELABRO

O Senhor deu instruções explicitas para a criação do candelabro do Tabernáculo. Ele deveria ter 34 kg de ouro batido, seis ramificações em torno de uma haste central e gravado com flores de amêndoas em vários lugares.
 Ex 37.17-24
A base para as lâmpadas tinha sete hastes para segurar as lâmpadas (Êxodo 25:31-39). Elas queimavam só o mais puro azeite de oliva e tudo era feito do mais puro ouro.

As hastes tinham o formato da flor de amêndoa com botões e pétalas. É provável que as lâmpadas eram feitas para queimar continuamente.

O ALTAR DO INCENSO

ALTAR DO INCENSO
O incenso era algo que soltava um aroma agradável a Deus (Êxodo 30:1-10). O incenso também simbolizava a oração, como ainda é nas igrejas episcopal, católica e ortodoxa. Diferentemente do altar de sacrifício no átrio, esse altar era feito madeira de acácia coberta de ouro, não bronze, e não era usada para sacrifícios.

O Tabernáculo tinha um altar menor e especial para queimar o incenso. O incenso era uma resina aromática de certas árvores que, misturada com especiarias (Êx 30.34-38), era queimada nas cerimônias de adoração a Deus (Lv 16.13), de manhã e à tarde (Êx 30.1-10). O incenso era símbolo das orações que subiam para Deus (Sl 141.2; Ap 8.3-5).
No entanto, como no altar de bronze, havia chifres em cada canto e argolas e varas para carregá-lo.

Neste altar o sacerdote queimava o incenso toda manhã e toda noite e todo ano no dia da expiação os chifres eram ungidos com óleo.

SANTO DOS SANTOS
Deus estava especialmente presente no Santo dos Santos. Sua presença saia dali para o resto do tabernáculo por uma cortina bordada com imagens de querubins.A ARCA DA ALIANÇA

Fora do Santo dos Santos estava o altar do incenso, espalhando no ar o aroma doce da adoração através da tenda sagrada.

No Santo dos Santos estava:

A resplandecente Arca da Aliança e o Propiciatório.



ARCA DA ALIANÇA

Caixa de madeira, revestida de ouro, onde eram guardadas as duas placas de pedra em que estavam escritos os dez mandamentos. Nela também eram guardados outros objetos sagrados (Êx 25.10-22; Hb 9.4-5).
A arca era uma caixa de madeira, como um baú, coberto em puro ouro (Êxodo 25:10-16) por dentro e por fora.

A arca representava a presença de Deus com a nação de Israel. Uma arca era uma mobília religiosa comum naquela época no Oriente Médio, mas essa arca era diferente.

Na maioria das religiões pagãs, o baú continha uma estátua da divindade sendo adorada. Neste caso, a arca continha três itens que mostravam como Deus se relacionava com o seu povo: as tábuas com os dez mandamentos (a orientação de Deus), a vara de Arão (a autoridade de Deus) e uma jarra de maná (a provisão de Deus para necessidades diárias do Seu povo).

A arca era portátil como tudo no tabernáculo. Varas compridas de madeira cobertas de ouro passavam por argolas de ouro em cada canto. Essas varas não podiam ser removidas nunca conforme Deus assim havia instruído (Êxodo 25:15).

O PROPICIATÓRIO
O lugar da expiação dos pecados era no tampo da arca. Era o lugar onde eles achavam que Deus estava assentado. Esse assento era um bloco de ouro puro que ficava em cima da arca (Êxodo 25:17-22). Desta maneira, Deus e sua misericórdia estavam acima da lei que ficava dentro da arca. Havia dois querubins que ficavam um de cada lado do bloco, olhando para o lado de dentro. Todo ano no dia da expiação (Levítico 23:26-31), sangue era espirrado no lugar da expiação no tampo da arca mostrando assim como o sangue do sacrifício se relacionava com a misericórdia de Deus.

 Deus Abençoe a todos .




sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Lei Mosaica E Seu Sgnificado Atual

Cristãos renascidos precisam obedecer à Lei de Moisés ou estão dispensados de cumpri-la?

Há algum tempo fomos questionados por que escrevemos tão pouco sobre o cumprimento dos Dez Mandamentos, que seria muito importante para receber a bênção de Deus. Perguntas assim confirmam a insegurança que existe entre os crentes em relação à observância da Lei de Moisés.

Na Igreja de Jesus surgem perguntas como: “Ainda devo guardar a Lei?” “Os Dez Mandamentos são obrigatórios?” “Devo guardar o domingo?”, etc. Existem muitas dúvidas em relação à Lei e nossa posição diante de suas exigências.

C.H. Mackintosh diz acertadamente em seu livro “Estudos Sobre o Livro de Êxodo” (da Série de Notas Sobre o Pentateuco):

A Lei e a Graça
É da maior importância compreender o verdadeiro caráter e o objeto da lei moral, como nos é apresentada neste capítulo [Êx 20]. Existe uma tendência do homem para confundir os princípios da lei com graça, de sorte que nem a lei nem a graça podem ser perfeitamente compreendidas. A lei é despojada da sua austera e inflexível majestade, e a graça é privada de todos os seus atrativos divinos. As santas exigências de Deus ficam sem resposta, e as profundas e múltiplas necessidades do pecador permanecem insolúveis pelo sistema anômalo criado por aqueles que tentam confundir a lei com a graça. Com efeito, nunca podem confundir-se, visto que são tão distintas quanto o podem ser duas coisas. A lei mostra-nos o que o homem deveria ser; enquanto que a graça demonstra o que Deus é. Como poderão, pois, ser unidas num mesmo sistema? Como poderia o pecador ser salvo por meio de um sistema formado em parte pela lei e em parte pela graça? Impossível: ele tem de ser salvo por uma ou por outra. (página 203)

Em que consiste a Lei de Moisés?
Quando se faz referência à Lei de Moisés nas igrejas, geralmente está se falando dos Dez Mandamentos. Mas esse é um engano, pois cumprir a Lei Mosaica é muito mais: ela é composta de todo o código de leis formado por 613 disposições, ordens e proibições. Em hebraico a Lei é chamada de Torá, que pode significar lei como também instrução ou doutrina. O conteúdo da Torá são os cinco livros de Moisés, mas o termo Torá é aplicado igualmente ao Antigo Testamento como um todo.

Neste artigo usaremos o termo Torá para designar os cinco livros de Moisés, especialmente a compilação das leis mosaicas, as 613 disposições, ordens e proibições que mencionamos.

• A Lei pode ser dividida em Dez Mandamentos , que no hebraico são chamadas simplesmente de As Dez Palavras. Eles regulamentam a relação do ser humano com Deus e com seu próximo.

• No código mosaico encontramos também o Livro da Aliança das Ordenanças Civis e Religiosas, que explica e expõe detalhadamente o significado dos Dez Mandamentos para Israel.

• O código mosaico ainda contém as leis cerimoniais, que regulavam o ministério no santuário do Tabernáculo e, posteriormente, no Templo. Elas tratavam também da vida e do serviço dos sacerdotes.

Em conjunto, todas essas disposições, ordens e proibições formam a Lei Mosaica. No judaísmo ortodoxo, além dessas 613 ordenanças, há ainda as leis do Talmude, a transmissão oral dos preceitos religiosos e jurídicos compilados por escrito entre os séculos III-VI d.C. A Torá e o Talmude são o centro da devoção judaica.

Jesus Cristo e a Lei de Moisés
“São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as  alianças, a legislação, o culto e as promessas” (Rm 9.4).

É interessante observar que Jesus posicionou-se claramente a favor do código legal mosaico, pois disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Entretanto, Ele rejeitou com veemência as ordenanças humanas e as obrigações impostas apenas pela tradição judaica (compiladas, posteriormente, no Talmude), afirmando: “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que podereis aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes” (Mc 7.8-13).

Jesus defendeu firmemente a Palavra de Deus. Ele considerava o Pentateuco como realmente escrito por Moisés, inspirado por Deus e normativo para Sua própria vida e Seu ministério, pois afirmou: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus” (Mt 5.18-19).

A quem foi dada a Lei de Moisés?
As passagens bíblicas seguintes documentam que a Lei de Moisés foi dada ao povo judeu, ou seja, a Israel:

– “E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje vos proponho?” (Dt 4.8).

– “Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos, a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todas ignoram os seus preceitos. Aleluia!” (Sl 147.19-20).

– “São estes os estatutos, juízos e leis que deu o Senhor entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, pela mão de Moisés” (Lv 26.46).

– “São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas” (Rm 9.4).

A Lei de Moisés foi entregue a Israel
A Lei fez de Israel algo especial, transformando-o em parâmetro para todos os outros povos. A Bíblia exprime essa verdade da seguinte maneira: “Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra” (Dt 7.6). Por conseqüência, o Israel do Antigo Testamento era a única nação cuja legislação, jurisdição e jurisprudência tinham sua origem na pessoa do Deus vivo.

Hoje não é essa a situação de Israel, pois o povo continua incrédulo e não está sob o governo do Messias. No futuro, quando Israel tiver se convertido a Jesus, a Lei divina será seguida por todo o povo judeu. O próprio Deus estabelecerá a teocracia como forma de governo, definirá a legislação e executará justiça em Israel. Sobre a situação vigente quando o Messias estiver reinando, a Bíblia diz: “Deleitar-se-á no temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres e decidirá com eqüidade a favor dos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o perverso” (Is 11.3-4).

A situação futura das nações será como descreve Isaías 2.3: “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém”. Deus está preparando o cumprimento dessa profecia. Por isso, não devemos nos admirar quando todo o poder das trevas se levanta para atrapalhar, pois o que está em jogo é o domínio divino sobre o mundo, domínio que virá acompanhado de todas as suas abençoadas conseqüências! Quando o Senhor reinar, pecado será pecado, injustiça e mentira serão chamadas pelos seus nomes e acontecerá o que está escrito em Jeremias 25.30-31: “O Senhor lá do alto rugirá e da sua santa morada fará ouvir a sua voz; rugirá fortemente contra a sua malhada, com brados contra todos os moradores da terra, como o eia! dos que pisam as uvas. Chegará o estrondo até à extremidade da terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo contra toda a carne; os perversos entregará à espada, diz o Senhor”. A oração de Jesus também se cumprirá: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.9-10).

Até que ponto as nações têm o dever de seguir a Lei Mosaica?
Deus queria que Israel fosse uma clara luz no meio da escuridão espiritual em que viviam os povos e um contraponto às trevas do pecado.

Provérbios 29.18 diz a respeito: “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz”. Toda nação que seguir esse conselho se dará bem!

A Lei de Moisés foi entregue ao povo de Israel com a seguinte finalidade: “Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida” (Pv 6.23). Deus queria que Israel fosse uma clara luz no meio da escuridão espiritual em que viviam os povos e um contraponto às trevas do pecado. Por essa razão Balaão, o profeta gentio, foi compelido a proclamar: “...eis que é povo que habita só e não será reputado entre as nações. Que boas são as tuas tendas, ó Jacó! Que boas são as tuas moradas, ó Israel!” (Nm 23.9; 24.5). Balaão reconheceu que Deus era com Israel, que Ele velava sobre esse povo, morava no meio dos israelitas e lhes dava segurança e estabelecia a ordem através da Lei.

Mesmo a meretriz Raabe, que vivia na cidade ímpia de Jericó, sentiu-se obrigada a declarar aos dois espias judeus: “Bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados. Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom e Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes” (Js 2.9-11).

Quando a rainha de Sabá (atual Iêmen) visitou o rei Salomão, exclamou admirada: “Foi verdade a palavra que a teu respeito ouvi na minha terra e a respeito da tua sabedoria. Eu, contudo, não cria no que se falava, até que vim e vi com meus próprios olhos. Eis que não me contaram a metade da tua sabedoria; sobrepujas a fama que ouvi. Felizes os teus homens, felizes estes teus servos que estão sempre diante de ti e ouvem a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor, teu Deus, que se agradou de ti para te colocar no seu trono como rei para o Senhor, teu Deus; porque o teu Deus ama a Israel para o estabelecer para sempre; por isso, te constituiu rei sobre ele, para executares juízo e justiça” (2 Cr 9.5-8).

O nome de Deus era conhecido muito além das fronteiras de Israel. As nações reconheciam que Israel era singular, admiravam seu maravilhoso Templo e vinham para louvar seu Deus. Assim era respondida a oração que Salomão fizera por ocasião da inauguração do Templo: “Também ao estrangeiro, que não for do teu povo de Israel, porém vier de terras remotas, por amor do teu nome (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa, e do teu braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome” (1 Rs 8.41-43).

“Os preceitos do Senhor... são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Salmo 19.8,10).

Até que ponto, então, as nações do mundo têm o compromisso de obedecer à Lei de Moisés? Bem, na verdade ninguém tem a obrigação de cumprir lei alguma. Nenhuma nação é obrigada a se orientar pelo código de leis divinas. Mas quando, de livre e espontânea vontade, ela se sujeita às ordens de Deus, essa é a melhor escolha, com os melhores resultados práticos. Cada povo que segue as orientações do Senhor experimenta o que diz o Salmo 19.8-11: “Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis que o ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa”.

A História nos ensina que os povos que desprezaram as leis divinas de maneira consciente, que as pisotearam, cedo ou tarde desapareceram de cena. Basta pensar na ex-República Democrática Alemã ou na União Soviética, que não existem mais. Mas os povos que estabelecem sua legislação e fundamentam sua constituição sobre as leis divinas, mesmo que seja de maneira imperfeita, são povos abençoados. A Bíblia diz: “Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Sim, bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor!” (Sl 144.15).

Será que hoje vivemos estressados, emocionalmente doentes e desorientados porque deixamos de obedecer à Palavra de Deus? Será que os líderes da economia mundial e os políticos tomam tantas decisões equivocadas por negligenciarem a Palavra do Senhor? Será que hoje as pessoas andam insatisfeitas e infelizes porque desprezam as ordens divinas? Com toda a certeza, pois o desprezo pelos decretos divinos sempre acaba conduzindo à ruína – espiritual, emocional e financeira.

A Igreja de Jesus deve cumprir a Lei?
O Senhor Jesus, cabeça da Igreja (Ef 5.23), validou toda a Lei Mosaica, inclusive as 613 disposições, ordens e proibições, ao afirmar: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei” (Lc 16.17). Ele avançou mais um passo, dizendo: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Jesus, ao nascer, também foi colocado sob a Lei: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4). Ele foi criado e educado segundo os preceitos da Lei, pois cumpria suas exigências.

O Senhor Jesus, porém, não apenas se ateve pessoalmente a toda a Lei de Moisés. Foi essa mesma Lei que O condenou à morte. Quando tomou sobre Si todos os nossos pecados, teve de morrer por eles, pois a Lei assim o exige. Vemos que a Lei foi cumprida e vivida por Jesus, e através dEle ela alcançou seu objetivo. Por isso está escrito que “...o fim da Lei é Cristo” (Rm 10.4).

Quando sou confrontado com a Lei Mosaica, ela me apresenta uma exigência que devo cumprir. Deus diz em Sua Lei : “...eu sou santo...” e exige de nós: “...vós sereis santos...” (Lv 11.44-45). Assim, a Lei me coloca diante do problema do pecado, que não posso resolver sozinho. O apóstolo Paulo escreve: “...eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7.14).

A lei expõe e revela nossa incapacidade de atender às exigências divinas, pois ela nos confronta com o padrão de Deus. Ela nos mostra a verdadeira maneira de adorá-lO, estabelece as diretrizes segundo as quais devemos viver e regulamenta nossas relações com nosso próximo. Além disso, a Lei é o fundamento que um dia norteará a sentença que receberemos quando nossa vida for julgada por Deus. Pela Lei, reconhecemos quem é Deus e como nós devemos ser e nos portar. Mas existe uma coisa que a Lei não pode: ela não consegue nos salvar. Ela nos expõe diante de Deus e mostra que somos pecadores culpados. Essa é sua função.

Lembremos que Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). O Filho de Deus está afirmando que veio a este mundo para cumprir a Lei com todas as suas 613 disposições, ordenanças e proibições. Ele realmente cumpriu todas elas, pelo que está escrito: “...o fim da lei é Cristo” (Rm 10.4). Ele conduziu a Lei ao seu final; ela está cumprida. Por que Ele o fez? Encontramos a resposta quando lemos o versículo inteiro: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Jesus cumpriu a Lei para todos, mas Sua obra é eficaz apenas para todo aquele que crê. Segundo a Bíblia, que tipo de fé é essa? É a fé que sabe...

...que pessoa alguma é capaz de cumprir a Lei e que ninguém consegue satisfazer as exigências divinas.

... que para isso o Filho de Deus, Jesus Cristo, veio ao mundo, cumprindo as exigências da Lei até nos mínimos detalhes.

...que Jesus Cristo tomou sobre Si, em meu lugar, o castigo da Lei, que é a morte.

Agora, talvez, muitos perguntem: Não estamos removendo a base que sustenta uma ética comprometida ao dizermos que a Lei não vale mais para os cristãos renascidos? Será que saberemos como nos comportar e o que é certo ou errado se dissermos que não é preciso cumprir a Lei de Moisés?

Jesus estabeleceu uma ética muito superior...
...à ética da Lei de Moisés. Ela exige: “Não adulterarás” (Êx 20.14). Mas Jesus disse: “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.28). A lei de Moisés impõe: “Não matarás” (Êx 20.13). Mas Jesus ensina: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44).

A ética estabelecida por Jesus Cristo supera tudo que já houve em matéria de lei moral e toda e qualquer possibilidade dentro da ética humana. Jesus exige que cumpramos normas diametralmente opostas ao nosso comportamento natural. Essa ética estabelecida por Jesus só pode ser seguida por pessoas que nasceram de novo, que entregaram todo o seu ser ao Senhor: “Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei” (Hb 10.16). A Bíblia diz, ainda, acerca dos renascidos: Deus “...nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co 3.6).

Curiosamente, Paulo escreveu essas palavras justamente à igreja que tinha mais problemas com ira, ciúme, imoralidade, libertinagem e impureza espiritual entre seus membros. Mas, ao admoestá-los, ele estava dizendo aos crentes de Corinto – e, por extensão, a todos nós – que é possível ter uma ética superior e viver segundo os elevados preceitos de Jesus quando nascemos de novo. Com isso os cristãos não estão rejeitando a ética da Lei de Moisés mas estabelecem uma ética muito superior, a ética do Espírito Santo, do qual a Bíblia diz: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).

Como, porém, colocamos isso em prática? Simplesmente vivendo um relacionamento íntimo e autêntico com Jesus Cristo. O que pensamos, o que falamos, o que fazemos ou deixamos de fazer deve ser determinado somente por Jesus: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus” (Cl 3.17). Na prática, devemos nos comportar como se tudo o que fizermos levasse a assinatura de Jesus. Somente quando nos entregarmos completamente ao Senhor Jesus poderemos produzir fruto espiritual. Quando submetermos nosso ser ao Senhor, o fruto do Espírito poderá crescer em nós em todos os seus nove aspectos. Talvez nós mesmos nem o percebamos, mas certamente as pessoas que nos cercam perceberão que o Espírito está frutificando em nós. Que seja assim na vida de todos nós! (Samuel Rindlisbacher - http://www.beth-shalom.com.br)

Quem é o Israel de Deus ?


O aumento do anti-semitismo: os primeiros sinais de alerta

Pode-se dizer que o outono está se aproximando quando as folhas começam a fazer barulho ao vento frio. Há um vento teológico gelado que está soprando na forma de uma atitude que nega o direito de Israel à Terra Santa, conforme estabelece a Aliança de Deus com Abraão.

Essa negação está, aos poucos, tornando-se bem visível entre os dispensacionalistas progressistas (DP). Embora rejeitem essa acusação, os fatos indicam que eles estão cada vez mais desinteressados em apoiar o direito dos atuais judeus de viverem em sua antiga terra. Por um lado, eles afirmam ter sempre sustentado o cumprimento profético da volta física de Cristo e da conversão e restauração do povo judeu a suas raízes territoriais. Na melhor das hipóteses, essa crença parece fraca. Por outro lado, a voz de apoio dos DPs está agora mudando de posição. Essa mudança vem na forma de críticas contra o povo israelense e sua atual defesa de sua própria existência.

Essas críticas procedem atualmente de alguns líderes evangélicos de grandes seminários, que costumavam ser firmemente dispensacionalistas, mas que estão perdendo seu amor e diminuindo seu apoio tácito ao povo judeu!

A outra fonte de negação não é nova. Os amilenistas sempre negaram ou ignoraram as reivindicações literais da Aliança Abraâmica a uma volta histórica literal do povo judeu à sua terra. Recentemente, porém, parece que essa voz está encontrando oportunidades de se fortalecer.

Um exemplo é a publicação de O Israel de Deus, escrito por O. Palmer Robertson. O livro apresenta o amilenismo requentado com seus costumeiros argumentos fracos, mas com uma estratégia nova de censurar a atual geração de judeus por sua reivindicação à terra [de Israel]. Essa crítica é logo seguida por [uma espécie de] apoio à reivindicação do povo palestino à Terra Santa. Em sua análise, Robertson freqüentemente faz uso de artimanhas ilusórias! No mesmo parágrafo (1), ele parece confundir propositalmente sua discussão da Antiga Aliança (a Lei) e as promessas proféticas da Aliança Abraâmica, que dá a terra perpetuamente aos descendentes de Abraão (é da Aliança Abraâmica que vem a expressão “terra prometida”.) Além disso (2), ele parece não dar atenção ao fato de que foi um Deus soberano que fez promessas firmes e literais de restaurar Seu povo terreno à terra. Na maior parte, ele simplesmente argumenta contra a reivindicação dos judeus à terra a partir da atual crise política.

Abaixo está um exemplo claro de como Robertson mistura os pactos bíblicos do Antigo Testamento. Ele faz isso de propósito ou por ignorância. Robertson escreve que há aqueles que hoje reivindicam um relacionamento de aliança com Deus com base na administração da antiga aliança. Eles ainda consideram válida a aliança que Deus fez com Abraão na forma pela qual foi originariamente administrada. Teriam eles o direito legítimo sobre a terra da Bíblia?  (p. 55, destaque meu).

Enquanto um grande número de árabes está tentando matar todos os judeus ou expulsá-los completamente, milhares de árabes vivem pacificamente, sem sofrer nenhum perigo,sob o governo israelense.

Na foto: atentado árabe em Israel.

Eis como Robertson responde a sua própria pergunta:
Um grande problema dessa posição é que há outros povos nesse território que também o reivindicam, especialmente porque ele pertencia às suas famílias havia várias gerações (p.55, destaque meu).

Na primeira citação, Robertson parece confuso. A “administração da antiga aliança” seria uma referência à Aliança Mosaica – a Lei – não à Aliança Abraâmica. Os judeus receberam a promessa da terra através da Aliança Abraâmica, não da Mosaica, embora fossem inicialmente expulsos da terra por não obedecerem à Lei de Moisés, à qual ninguém jamais pôde obedecer! Na segunda citação, Robertson não parece estar ciente da história do Oriente Médio. Nunca houve uma nação “palestina” naquela terra. Durante séculos aquele território ficou sob o controle de governantes muçulmanos e, depois, dos turcos, que governaram a região com mão de ferro. Os povos árabes viveram ali em pequenas vilas, como invasores e nômades. Pelo fato dos turcos cobrarem impostos das pessoas com base no número de árvores em sua propriedade, os árabes as cortaram totalmente e deixaram a terra nua, tornando-a árida, com pântanos e terrenos secos e poeirentos.

Repito: Nunca houve uma nação “palestina” na Terra Santa.

Robertson prossegue:
Uma segunda atitude daqueles que declaram que a terra pertence eternamente aos judeus, em relação ao povo que já habitava o território, simplesmente defende que as pessoas já presentes devem ser deslocadas. A terra deve ser desocupada, a qualquer custo, para que os judeus possam tomar posse dela (p. 56, destaque meu).

Os pré-milenistas jamais propuseram que os árabes que vivem naquela terra sofressem atos de crueldade. Muito pelo contrário. Enquanto um grande número de árabes está tentando matar todos os judeus ou expulsá-los completamente, milhares de árabes vivem pacificamente, sem sofrer nenhum perigo, sob o governo israelense. Robertson vai além com seu amilenismo e mostra como está confuso com as questões.

Ele escreve:
se a terra da Bíblia pertence aos participantes da nova aliança, como alguns afirmariam, deveria pertencer a todos os que são descendentes de Abraão pela fé, judeus ou gentios, israelitas ou palestinos (Gl 3.26-29) (p. 57).

Na Aliança Abraâmica (Gênesis 12.1-3), Deus prometeu a terra exclusivamente à descendência de Abraão. Ele prometeu que através de Abraão “serão benditas todas as famílias da terra” (v. 3). Essa “bênção” viria mediante a Nova Aliança. Os cristãos estão hoje recebendo os benefícios da salvação através de Cristo, que a ratificou por Seu sangue e Sua morte (Lucas 22.20). Algum dia, no futuro, os judeus reconhecerão e aceitarão Jesus como Messias e Salvador, quando Ele voltar triunfante. Eles O aceitarão baseados na Nova Aliança. Também naquele tempo eles herdarão as promessas relativas à terra e habitarão ali no reinado de mil anos do Senhor.

A dispensação atual da Igreja é, realmente, composta de judeus e gentios, que aceitaram Jesus como Salvador. Juntos, no tempo presente, os crentes judeus e gentios são abençoados pela Nova Aliança, que é uma extensão do aspecto da “bênção” da Aliança Abraâmica!

Com uma interpretação inteiramente errada das alianças, e das Escrituras em geral, Robertson declara ainda:
Reconhecer a validade da reivindicação à “promessa da terra” redentora (seja como for que essa promessa seja entendida) por um grupo de pessoas identificado de alguma forma que não seja pela fé em Jesus como o Cristo inevitavelmente implica um retorno ao plano de sombras (ou tipos) das provisões de redenção da antiga aliança. A aceitação desse tipo de reivindicação significaria uma regressão às antigas formas tipológicas da obra redentora de Deus (p. 57).

Continuando, ele escreve:
O reconhecimento de um povo distinto que é recebedor das bênçãos redentoras de Deus e, no entanto, tem uma existência à parte separada da igreja de Jesus Cristo cria problemas teológicos insuperáveis. Jesus Cristo tem somente um corpo e uma única noiva, um povo que ele chama como seu, que é o verdadeiro Israel de Deus. Esse povo é composto de judeus e gentios que acreditam que Jesus é o Messias prometido (p. 57, destaque meu).

Essas declarações mostram uma profunda ignorância das diferentes questões proféticas e escatológicas na Escritura. O problema de Robertson é que ele não conhece a Bíblia tão bem quanto afirma!

A oração de Davi, de validade permanente, é: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam” (Salmo 122.6).

As promessas relativas à terra para Israel vêm através das promessas proféticas da Aliança Abraâmica, e são eternas. Essas promessas não mudam, nem foram revogadas! A escritura da terra pertence ao povo judeu para sempre mediante Jacó. Embora seus olhos estejam cegos no tempo presente, algum dia os judeus serão redimidos, e realmente têm uma existência separada da Igreja. Esses eventos ocorrerão para Israel quando a Igreja tiver sido arrebatada!

Nesta atual dispensação, há apenas um corpo, e esse corpo é a Igreja! Entretanto, foram feitas promessas ao povo judeu, isto é, promessas nacionais. É claro que a redenção dos judeus inclui promessas relativas à terra e o reconhecimento do Senhor Jesus como seu rei terreno e Messias!

A Bíblia nos diz:
“...toda esta terra que vês, eu ta darei, a ti [a Abraão] e à tua descendência, para sempre” (Gênesis 13.15).

“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus” (Gênesis 17.7-8).

“Se falharem estas leis físicas [da lua e das estrelas] diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre” (Jeremias 31.36).

O resto do livro de Robertson continua a rejeitar o direito atual dos judeus de estarem naquela terra. Os dispensacionalistas nunca apoiaram Israel quando Israel esteve errado, e sabem que judeus se converterão antes e enquanto estiverem entrando na terra. O Espírito Santo os persuadirá: “Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra” (Ezequiel 37.14), e eles “olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito” (Zacarias 12.10).

Mas o apoio a Israel em nossos dias não deve ser abalado! A oração de Davi, de validade permanente, é: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam” (Salmo 122.6). E mesmo hoje, enquanto os judeus se opõem ao Evangelho, Deus ainda os ama. Paulo escreve: “Quanto ao evangelho, são eles [os judeus] inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos patriarcas [judeus]; porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Romanos 11.28-29).

As promessas irrevogáveis de Deus

O Senhor atualmente ama o povo judeu porque Ele lhe fez promessas irreversíveis de bênçãos.
Em outras palavras, o Senhor atualmente ama o povo judeu porque Ele lhe fez promessas irreversíveis de bênçãos. Portanto, temos um mandato de também cuidar dele atualmente, apesar do fato dos judeus não conhecerem Jesus como seu Salvador e Messias!

Poucos dias antes de escrever este artigo, ficamos chocados quando o presidente de um grande e famoso seminário voltou atrás em seu apoio ao Israel moderno. Embora reconhecesse que os judeus têm promessas futuras sobre aquela terra e que estas se cumprirão, ele argumentou que o povo judeu precisa tratar “os estrangeiros” [os palestinos] como se fossem israelitas. Ele citou Ezequiel 47.21-22: “Repartireis, pois, esta terra entre vós, segundo as tribos de Israel. Será, porém, que a sorteareis para vossa herança e para a dos estrangeiros que moram no meio de vós, que geraram filhos no meio de vós; e vos serão como naturais entre os filhos de Israel; convosco entrarão em herança, no meio das tribos de Israel” (Ezequiel 47.21-22).

Embora esse professor tenha comentado, com razão, que essa é uma passagem sobre o reino (Milênio), ainda assim ele a aplicou à atual situação de “guerra” na Terra Santa entre Israel e os maus palestinos que desejam destruir a nação judaica. Ele disse, supostamente citando Cristo: “‘Tratem os outros como vocês quiserem ser tratados’. Isso soa como o que disse Jesus, não é mesmo? De acordo com Ele, se tratarmos os outros como quisermos ser tratados, cumpriremos a lei e os profetas”.

A seguir, ele teve a ousadia de perguntar: “Vocês sabem o que está faltando em Israel? Apenas o cumprimento de um pequeno item no programa de Deus: trate os outros como você quiser ser tratado”.

O povo judeu vem reivindicando a terra que o Senhor lhe prometeu. Sim, ele retornou em estado de incredulidade, porém Deus, em Seu próprio tempo e pelo Seu Espírito Santo, corrigirá isso. Sabemos que os judeus ainda sofrerão na Tribulação, mas devemos nos lembrar de que, no tempo presente, o Senhor os chama “amados” por causa de Suas promessas no passado. Os cristãos evangélicos devem ter a mesma atitude neste tempo.

Esse professor da Bíblia que escreveu as palavras acima sugere que Israel está tratando os palestinos com crueldade. Quero testificar que, tendo feito vinte e três viagens a Israel, nunca os vi sendo tratados de modo cruel. Muitos palestinos vivem com os israelenses e são profundamente abençoados. Israel é a única democracia no Oriente Médio e a justiça faz parte de suas políticas, mesmo sob a horrível pressão dos que desejam matar os judeus.

Esse mesmo professor deixa de mostrar que os noticiários sobre o Oriente Médio e Israel parecem ter um só lado – contra o povo judeu. Quase todos os árabes desejam ver os judeus entregando parte da “terra prometida” ou sendo expulsos completamente pela violência. São a teologia e o ódio dos árabes que mantêm a ferida sangrando.

O Israel de Deus
Voltemos às declarações de Robertson. Ele comete o mesmo erro horrendo a respeito da afirmação de Paulo, “o Israel de Deus” (Gl 6.15-16). Nessa passagem, Paulo escreve: “Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura. E, a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus”.

Embora nem todos os estudiosos concordem, alguns dos gramáticos mais respeitados crêem que Paulo está se referindo a israelitas salvos e não aplicando “o Israel de Deus” como uma nova designação para a Igreja, conforme dizem os amilenistas.

Dunn escreve:
A referência... seria ao povo judeu como um todo... em outras passagens Paulo jamais chama os “cristãos” de Israel. Mas, à luz de seu argumento inicial, a expressão deve significar o povo judeu precisamente em sua identidade na Aliança [Abraâmica], como “Israel” em vez de “os judeus”.[1]

Bruce acrescenta:
Mas a referência ao Israel de Deus não precisa ser uma mudança de idéia. [Paulo] teria se sentido à vontade com uma oração que pedisse a Deus “paz e misericórdia sobre nós e sobre todo o Israel, teu povo”. Sendo assim, as palavras “e sobre o Israel de Deus” teriam saído prontamente de seus lábios. Paulo tinha muita esperança na bênção final sobre Israel... o fato de que alguns israelitas estavam fazendo isso [aceitando Cristo] era, aos seus olhos, uma garantia de que esse remanescente aumentaria até que, com a reunião de todos os gentios [plenitude], “todo o Israel será salvo” (veja Romanos 11.25-26 – N.R.). Essa invocação de bênção sobre o Israel de Deus provavelmente tem uma perspectiva escatológica.[2]

O Israel de Deus é Israel! Não é a Igreja. Paulo nunca rotula a Igreja, na qual realmente há judeus e gentios crentes, como o “Israel de Deus”.

Conclusão
Os evangélicos devem apoiar os judeus que agora se reuniram na Terra Santa vindo de todos os lugares do mundo. Embora alguns demonstrem resistência para confessar que essa volta que está ocorrendo hoje é parte das profecias, não pode haver dúvida de que, no mínimo, é o começo do começo. (Mal Couch - www.scofieldprophecystudies.org - http://www.beth-shalom.com.br)

Tipologia Bíblica


O apóstolo Paulo escreve em 1 Coríntios 10.6: “...e estas foram-nos feitas em figura...”. A palavra grega tupos, aqui traduzida por “figura”, tem o sentido de “padrão”, “ilustração”, “exemplo” ou “tipo”. Em 1 Coríntios 10.11, Paulo observa: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso...”. O quê? Neste caso, Paulo se refere a eventos relacionados ao êxodo no Antigo Testamento. Assim, um tipo é um padrão bíblico, ou uma ilustração bíblica, normalmente extraído do Antigo Testamento, que assume a forma de padrões relacionados a pessoas, acontecimentos ou coisas.

Hebreus 8.5 nos diz que o Tabernáculo foi construído a partir de um padrão celestial que fora mostrado a Moisés no monte Sinai: “Atenta, pois, que o faças conforme o Seu modelo, que te foi mostrado no monte” (Êx 25.40). Estêvão observou em seu sermão: “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto” (At 7.44). O Tabernáculo e, mais tarde, o Templo são tipos que se tornam padrões que revelam elementos-chave do plano divino de salvação.

Hebreus 8.5 nos diz que o Tabernáculo foi construído a partir de um padrão celestial que fora mostrado a Moisés no monte Sinai: “Atenta, pois, que o faças conforme o Seu modelo, que te foi mostrado no monte” (Êx 25.40).

Muitos exemplos de como padrões em vidas de indivíduos fornecem um tipo podem ser vistos nas experiências de personagens da história antiga do Antigo Testamento, como Abraão, Isaque e José. Em Gênesis 22, o padrão do sacrifício de Isaque por Abraão prefigura muitos eventos que espelham a morte e a ressurreição de Jesus. O Senhor disse a Abraão: “...Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá (...) sobre uma das montanhas...” (Gn 22.2). Este versículo oferece um paralelo à entrega que Deus, o Pai, fez de Jesus, Seu Filho unigênito. Acredita-se que o monte na terra de Moriá seja a mesma colina em Jerusalém em que o Templo veio a ser construído e onde Israel ofereceu seus sacrifícios. O ministério de Jesus esteve bastante ligado àquela área. Isaque foi um sacrifício voluntário (Gn 22.5-9), tal como Jesus. A disposição de Abraão em sacrificar Isaque e a eventual provisão de um cordeiro (Gn 22.9-14) retratam o sacrifício e a provisão que Cristo fez definitivamente por nosso pecado.

Certos acontecimentos na vida de José são um tipo e uma prefiguração do relacionamento entre Israel e seu Messias. José revela a seus irmãos um sonho que o apresenta como autoridade sobre eles (Gn 37.5-9). José é rejeitado por seus irmãos (Gn 37.10,11), que planejam matá-lo (Gn 37.18-20), mas acabam vendendo-o como escravo (Gn 37.25-27). Isso retrata a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus Cristo. Enquanto isso, sem que Jacó, seu pai, nada soubesse, José subira a uma posição de grande poder e influência sobre as nações pagãs por causa dos acontecimentos ligados a uma grande fome (Gn 41). Seus irmãos descem ao Egito em busca de alimento fornecido pelos gentios, e nessa ocasião José misericordiosamente se dá a conhecer a seus irmãos e restaura o relacionamento rompido (Gn 42-45). Esses eventos retratam a conversão escatológica de Israel a Jesus como seu Messias durante a Tribulação, a qual resultará nas bênçãos milenares para Israel (Gn 46).

Há muitos tipos possíveis na Bíblia. No entanto, um evento ou conceito bíblico só pode ser estabelecido como um tipo depois que o texto foi interpretado historicamente e o padrão dos eventos determinado. Conotações tipológicas não podem ser usadas como a primeira abordagem interpretativa de qualquer passagem. A tipologia adequada só pode ser estabelecida após o fato, numa visão retrospectiva, comparando-se os padrões dos acontecimentos históricos ao plano divino para a história, passada e futura. (Thomas ice - http://www.chamada.com.br).